"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade."

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Conversão do presidente Ikeda

Conversão do presidente Ikeda


Daisaku Ikeda aos 19 anos.
Neste significativo mês de agosto comemora-se o aniversário de conversão do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, ao Budismo de Nitiren Daishonin.
Relembrando épocas de valor inestimável, vamos viajar juntos dentro do imenso coração de um jovem chamado Daisaku Ikeda:
2 de janeiro de 1928 - Dia de seu nascimento. Desde criança sofria de constantes crises de bronquite, mas isso não o impedia de ser um jovem alegre e de coração límpido.

Numa das crises, aos sete anos, perguntou a sua mãe: "Mãe, o que é a morte?"
Ela respondeu: "Veja aquelas flores vermelhas! Dizem que aquela árvore é da espécie que não cresce perto do mar, no entanto, cresceu forte e robusta! O vento forte bate, mas ela floresce e dá frutos! A árvore está tentando sobreviver a todo custo. Querido Dai, você também deve viver e sobreviver como aquele pé de romã! Haja o que houver!"
Diante da árvore, fez seu juramento: "Pé de romã, você está sobrevivendo com toda sua força, superando os momentos de sofrimento e tristeza, não é mesmo? Eu também não serei derrotado. Olha, pé de romã, vamos jurar isto juntos!"
Desde criança concluiu que era preciso descobrir a maneira de discernir corretamente entre o caminho das trevas e o caminho da esperança. "Não sei até quando meu corpo pode resistir... Vivemos de acordo com o rumo que escolhemos. Quero viver e avançar, sem esmorecer mesmo em face da doença, assim como meu irmão me ensinou, jamais deixarei de estudar até o último momento."
Em meio às dificuldades, jamais se esqueceu da promessa que havia feito ao pé de romã.
Já na adolescência, sem outra alternativa, Ikeda empregou-se na Metalúrgica Niigata, que ficava perto de sua casa. Era uma fábrica de armamentos que fornecia também materiais para a construção de navios de guerra. Nessa fábrica havia também uma escola para jovens em que eram ministrados cursos técnicos e também treinamentos militares. Os instrutores enfatizavam que o aumento da produtividade era um meio para se proteger seus compatriotas que lutavam nos campos de guerra.
No início de uma tarde de verão de 1944, Ikeda marchava sob o sol escaldante carregando no ombro um fuzil de madeira. Era o exercício ministrado pela fábrica como parte do treinamento militar. O pelotão marchava rumo às margens do Rio Tama, partindo da fábrica que ficava perto da Estação Kamata. De repente, Ikeda sentiu-se mal e cambaleou.

- O que está acontecendo?
- Você está bem?
Os colegas que estavam a sua volta acudiram-no. Embora não se sentisse bem, Ikeda suportou o mal-estar e ficou até o fim do treinamento. Posteriormente, contudo, ele começou a tossir sangue.
Embora Ikeda tivesse tuberculose, vinha esforçando-se demasiadamente no trabalho e nos treinamentos. Houve ocasiões em que chegou a trabalhar com uma febre de 39 graus. Os gânglios linfáticos estavam inchados e o rosto muito pálido. Porém, ele não tinha condições de procurar tratamento médico. A única forma de orientar-se era seguir as instruções de uma revista sobre cuidados com a saúde. Além disso, por ser uma época de terrível escassez de alimentos, não podia nutrir-se satisfatoriamente.
Devido ao seu estado de saúde, Ikeda pediu sua transferência para os serviços de escritório. Mas, no início de 1945, os médicos recomendaram-lhe que se internasse num sanatório para tuberculosos. Seu estado era grave e quase desesperador.
Nessa época, a derrota do Japão era dada como certa e Ikeda recebia notícias sobre a morte de seus amigos que haviam se tornado pilotos. Ikeda sentiu-se envergonhado por estar doente e não poder fazer nada pelo Japão enquanto seus amigos tombavam nos campos de batalha.
Não tardou muito para o bairro de Kamata ser atingido pelos bombardeios.
Devido aos bombardeios, não se comentou mais sobre sua internação no sanatório. Mesmo após a guerra, a tuberculose atormentou por muito tempo a saúde de Ikeda. Entretanto, o que mais o afligia era a sensação de vazio espiritual provocada pelo término da guerra. A obediência ao imperador, a fé no Estado e toda a visão de valor ficaram confusas no coração de Ikeda.
Para que havia servido a guerra? O que significava o imperador, a pátria e a justiça? O que é realmente o ser humano? Diante do campo devastado pela guerra, Ikeda pensava e continuava a atormentar-se.
Para obter respostas concretas sobre suas indagações, Ikeda teve de esperar por mais dois anos até encontrar-se com Jossei Toda.

14 de agosto de 1947 - Relembrando o início de sua prática budista, o jovem Daisaku Ikeda converteu-se aos 19 anos de idade e recebeu o Gohonzon no dia 24 de agosto de 1947.
Certo dia, Ikeda aceitou um convite de dois amigos para participar de uma reunião sobre filosofia. Chegado o dia da reunião, os dois amigos foram à casa de Ikeda para acompanhá-lo à reunião. A "palestra sobre filosofia" nada mais era do que uma típica reunião de palestra da Soka Gakkai, aquela porém, com um atrativo a mais: o próprio presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, estaria presente. Ikeda não sabia exatamente do que se tratava, apenas desejava encontrar algo que lhe desse esperança, palavra que fora totalmente dissolvida da mente do povo em decorrência da hipocrisia da Segunda Grande Guerra Mundial.
Apresentado a Toda durante a reunião, Ikeda, ansioso em esclarecer algumas dúvidas, começou a fazer várias perguntas sobre conduta humana. Surpreso com a sagacidade do rapaz, Toda respondeu prontamente a cada questão e, em cada resposta, abordou conceitos da filosofia de Nitiren Daishonin.
Toda permaneceu sem nada dizer. Ikeda contemplava algo, com olhares atentos, deixando a sua face inteiramente corada. Parecia estar impaciente, desejando pronunciar algo novamente. Subitamente, levantou-se decidido e cumprimentou:
— Muito obrigado, professor. Há o seguinte ditado célebre no Tratado Preceitual Chinês Li Ching: "Faz bem pensar mais uma vez, embora concorde; é bom pensar mais uma vez, embora discorde". Creio na sua afirmação que aconselha o estudo e a prática, especialmente aos jovens e, sendo assim, peço-lhe que me permita segui-lo, para poder aprender. Como prova do meu agradecimento, peço licença para declamar uma poesia, apesar da pouca habilidade...
Toda concordou silenciosamente.
Todos os presentes ficaram surpresos. Ikeda fechou levemente os olhos e começou a declamar com sua voz sonora.
Ó viajante!
De onde vens?
E para onde irás?

A lua desce
No caos da madrugada;
Mas, vou andando,
Antes de o Sol nascer.
À procura de luz.

No desejo de varrer
As trevas de minh´alma,
A grande árvore eu procuro
E que nunca se abalou,
Na fúria da tempestade.
Nesse encontro ideal,
Sou eu quem surge da terra!
Todos ficaram surpresos. Para Toda especialmente, a última frase soou de forma muito significativa. "Sou eu quem surge da Terra!" - era a missão dos Bodhisattvas da Terra que surgiram nos Últimos Dias da Lei para propagarem o ensino. Toda pressentia que aquele encontro havia sido místico. O encontro com aquele rapaz de dezenove anos lembrava Toda o encontro que ele próprio tivera com seu mestre, Makiguti. "Se o budismo é certo, deverá surgir infalivelmente uma relação de mestre e discípulo entre as duas pessoas que infalivelmente deverão realizar uma revolução religiosa sem precedentes na história da humanidade", era o que pensava Toda. "Aquele rapaz nada sabe disso. É bom que não saiba nada agora."
Dez dias após este marcante encontro, em 24 de agosto de 1947, converteu-se ao budismo. Aos poucos compreendeu a veracidade da filosofia budista e começou a admirar a pessoa de Jossei Toda: "Se não tivesse tido Jossei Toda como professor, nunca teria chegado a ser coisas alguma (...) O fato de um homem tão medíocre quanto eu poder suceder ao falecido Toda Sensei deve-se somente a jamais ter deixado, por um instante sequer, a imagem desse grande líder afastar-se do meu coração e da minha alma. A felicidade máxima da minha vida é ter conhecido e me tornado seu discípulo, e desse relacionamento de mestre e discípulo ter ultrapassado a morte."
Antes de sua conversão, o jovem Ikeda trabalhava como empregado de uma tipografia. Trabalhou também como entregador de jornais por iniciativa própria. Depois foi escriturário, mas na realidade fazia de tudo. Muitas vezes nem recebia salário. Estudava à noite e como não tinha boa saúde passava por momentos extremamente difíceis. Após as aulas, com fome, não tinha forças sequer para regressar ao lar. Era pós-guerra e não havia tantos membros na Soka Gakkai como hoje. A sua família era contra sua prática budista. A Divisão Masculina de Jovens só contava com nove membros. Sendo assim, lutou contra grandes dificuldades.
Ele não tinha camisas de reserva. Seus sapatos estavam sempre gastos, suas roupas surradas, e não tinha meias novas, o que o levava a remendá-las. Compartilhou das árduas lutas de Toda não recuando sequer um passo. O que sustentava essa sua convicção? Mesmo na pior adversidade ele acreditou no Gohonzon, no Budismo de Nitiren Daishonin, nas orientações do seu mestre, Jossei Toda, e nunca duvidou de seu futuro.
"Se todos estivessem realmente satisfeitos não haveria necessidade de religião ou dos estudos budistas. Uma vez que estamos praticando o budismo e estamos revolucionando o nosso caráter, é natural que surjam muitos obstáculos e problemas. Jamais me queixei disso!
Sempre enfrentei as dificuldades com prazer, pois tinha convicção de que as superaria, e que tudo isso se tornaria a causa para o meu grande desenvolvimento. Além do mais era doente. Muito doente mesmo! Era tão magro que não passava dos 48 quilos, mas mesmo assim lutei. Havia ocasiões em que ia e voltava várias vezes pelo centro da cidade puxando carroça.
Em meio a essas dificuldades renovava as minhas decisões: 'Estou sofrendo e para vencer só tenho o Daimoku.' Assim, havia ocasiões em que fazia vinte mil Daimoku diariamente (aproximadamente sete horas). Cheguei a fazer mais de seiscentos mil Daimoku por mês (duzentas horas).
Nessas ocasiões não sabia em quem confiar a não ser no Gohonzon. Assim também, os senhores devem fazer. Quanto maior o sofrimento, deverão decidir: 'Esta é a melhor chance de poder provar a todos, superando esse sofrimento através da minha prática da fé.' A pessoa que assim fizer conseguirá a revolução do caráter. Fé é prática! Os jovens devem ter esperança, estimulando a si próprios, e ser corajosos e enérgicos para a revolução de seu destino."
A mente do mestre refletida em seu discípulo - Relatando o seu encontro com o segundo presidente Jossei Toda, o presidente Ikeda conta: "Quando encontrei-me com o presidente Toda ele me disse: 'A vida para você que ainda é jovem, é longa, não sabe qual o destino que lhe está reservado e o que lhe poderá acontecer no futuro. Você tem certeza absoluta de que levará uma vida feliz?'
Naquele momento lembro-me de ter resmungado algumas coisas, mas, na realidade, sentia que era verdade o que ele me dizia. E no meu íntimo não tinha certeza alguma de ter uma vida feliz no futuro. Para contrariar as palavras do professor, poderia falar de socialismo, de realismo, de Nietzsche, Karl Marx e Emerson, mas isso não era o que eu realmente pensava, apenas quis dizer algo para contradizer o professor.
Toda respondeu-me: 'Quando envelhecer e olhar para o seu passado, e se arrepender de não ter feito algo na mocidade, isto é, realizado obras que poderiam ter ajudado a humanidade, será tarde demais. Pratique e estude o Budismo de Nitiren Daishonin para verificar a sua legitimidade ou falsidade. Será que no momento da morte, você conseguirá morrer dignamente como um grande homem?' Quando ele me disse isso, pensei: 'Tem razão, é preciso fazer algo desde a juventude.'
Toda ainda me disse: 'Se uma pessoa analisar as dificuldades de uma vida, verá que a sua realidade é rigorosa e para solucionar tudo isso experimente praticar e estudar o Budismo de Nitiren Daishonin. Se há dúvidas de que estou dizendo a verdade, aposto a minha para provar. Você poderá desistir da prática quando quiser, nada lhe custará. Tudo o que fizer será para o seu próprio bem e não para o da Soka Gakkai.'
Esta foi a resposta que recebi. Então, em meio a todas as dificuldades, decidi: 'Praticarei três ou cinco anos, conforme diz Toda Sensei, esforçando-me ao máximo na prática da fé e no estudo do budismo.' Assim, recebi o Gohonzon, pratiquei os ensinos e dediquei-me ao estudo. Tenho plena convicção de que o Budismo de Nitiren Daishonin é a maior das práticas da qual se obtêm resultados concretos. Mesmo que o analise através da ciência mais avançada, mesmo que o compare com quaisquer dos ideais existentes, afirmo que o budismo é o maior dos ensinos. Portanto, para o bem de si mesmo pratique e estude com dedicação.
"A minha posição era de servir o segundo presidente, Jossei Toda. Às vezes, realizava trabalhos penosos, a minha saúde, o meu trabalho, tudo era difícil e o progresso da Soka Gakkai era pouco. Trabalhei confiando no presidente Toda, confiando na Soka Gakkai e protegendo o Gohonzon. Apenas avancei com rigor.
Lutei, ultrapassando vários obstáculos. Nunca com a intenção de que o presidente Toda ia me construir uma casa ou que me deixaria descansar por estar doente, ou que talvez me pagasse os estudos na universidade que quisesse, etc. Quando eu lhe falava sobre a minha doença ele ficava preocupado e orientava-me dizendo: 'Se orar chorando ao Gohonzon, jamais deixará de mudar o seu destino.'
Passava por momentos difíceis em um apartamento apertado. Mais isso viria a se tornar uma grata lembraça. Todos esses sofrimentos fizeram com que o jovem mimado se fortalecesse, e isso tornou-se a base da minha vida hoje.
Resistirei a qualquer tipo de críticas, lembrando-me de que meu venerado mestre certa vez, encorajou um jovem pobre e sofrido, para se tornar o que é hoje.
Eu próprio tenho agora minha missão a cumprir. Continuarei a escrever, com lágrimas de gratidão, a história e os ideais de meu mestre. Compus os seguintes versos em 1958, no sétimo dia após o falecimento do Sr. Toda:
Agora que meu mestre faleceu,
Como a vanguarda dos
Jiyu no Bossatsu,
Ainda hoje avanço
diante das onda furiosas.
Esse poema ainda está pendurado na parede do meu lar. Era repreendido por meu mestre freqüentemente, mas muitas vezes recebi encorajamentos.
Aos dezenove anos de idade, o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, encontrou-se com o seu mestre, Tsunessaburo Makiguti. Em 1969, o presidente Ikeda terminou o quarto volume da obra "Revolução Humana" com o capítulo "A Geada de Outono". Nesse capítulo consta um poema em resposta e dedicado a Toda:
Servirei ao mestre
Como servi no passado,
Nas místicas eras.
Sempre, imutável serei,
Ainda que outros mudem!
Em resposta, Toda escreveu ao presidente Ikeda:
Com o meu próprio corpo
Quantas vezes batalhei
Nos campos de luta.
Sem largar conservando
A ti, espada minha.

Pálido e exausto estou, o Rei.
Em minha morte deixarei
A ti, a coroa minha.
Fonte:
Terceira Civilização, nº 348, agosto de 1.997
.
Ibidem, nº 451, março de 2.006, pág.16.
Ibidem, nº 456, agosto de 2.006, pág.32.
Nova Revolução Humana, vol. III.

Nitiren Daishonin nasceu em 16 de fevereiro de 1222, em Kominato, na Província de Awa, a leste da atual Baía de Tóquio, como filho de uma família de pescadores. Seu pai chamava-se Mikuni no Tayu e sua mãe, Umeguikunyo.

Quando nasceu recebeu o nome de Zenniti-maro, e com a idade de 12 anos entrou para o templo Seityoji a fim de estudar o budismo.
Com dezesseis anos, entrou para o sacerdócio, tendo como mestre o bonzo Dozen-bo, e recebeu o nome de Zesho-bo, Rentyo. Desse dia em diante, devotou-se inteiramente ao estudo de todas as escrituras budistas.
Ele visitou os principais templos e leu todos os sutras e tratados. Como resultado, aprendeu a essência do budismo, compreendendo a doutrina e o método para a salvação de todas as pessoas. Após dezesseis anos de estudo e prática, compreendeu que o ensino fundamental do budismo é o Sutra de Lótus.
Ao meio-dia de 28 de abril de 1253, no templo Seityoji, ele proclamou o Nam-myoho-rengue-kyo como único e verdadeiro ensino de Mappo, estabelecendo o Verdadeiro Budismo. Estava então com 32 anos (1) de idade.
Nessa ocasião, nomeou a si próprio de Nitiren (literalmente, Sol de Lótus).
Quando Daishonin declarou a Verdadeira Lei, refutou a seita Nembutsu (ou Jodo) afirmando ser a causadora do inferno de incessantes sofrimentos. Isso despertou o ódio de Tojo Kaguenobu, lorde da área e seguidor da seita Nembutsu. Banido de Seityoji, Daishonin foi para Kamakura, a sede do governo na época.
Numa pequena cabana, num local chamado Matsubagayatsu, ele iniciou sua atividade para a salvação de todas as pessoas.
Nos dias de Nitiren Daishonin, as três calamidades e os sete desastres (2) aconteceram sucessivamente. Em particular, um grande terremoto abalou Kamakura em agosto de 1257, e destruiu quase todos os seus principais prédios. Tendo como motivo esse terremoto, Daishonin visitou o templo Jissoji para ponderar sobre a causa das três calamidades e dos sete desastres e também sobre como erradicar essa causa. Foi durante sua estada nesse templo que Nikko Shonin tornou-se seu discípulo.
No dia 16 de julho de 1260, Nitiren Daishonin endereçou um tratado intitulado Rissho Ankoku Ron (A Pacificação da Terra por meio da Propagação do Verdadeiro Budismo) para Hojo Tokiyori, um ex-regente que exercia enorme influência sobre o governo da época.
O tratado afirmava que a causa das três calamidades e dos sete desastres estava na calúnia das pessoas à Verdadeira Lei e na aceitação de doutrinas que contradiziam o ensino do Buda.
Entretanto, Tokiyori rejeitou a admoestação de Daishonin. Enquanto isso, com o apoio de Hojo Shiguetoki, o pai do então regente Hojo Nagatoki, um grupo de seguidores da seita Nembutsu reuniu-se em Matsubagayatsu, na cabana de Daishonin, para assassiná-lo. Esse acontecimento é conhecido como “Perseguição de Matsubagayatsu”, e ocorreu na noite de 27 de agosto de 1260.
Daishonin escapou por pouco dessa perseguição, mas foi banido para a localidade de Ito, na Província de Izu, em 12 de maio de 1261. A ordem do regente — o exílio — foi na realidade uma decisão ilegal embasada somente em seus sentimentos pessoais.
Em fevereiro de 1263, Hojo Tokiyori emitiu o perdão permitindo que Daishonin retornasse a Kamakura. No dia 11 de novembro de 1264, quando Nitiren Daishonin ia visitar Kudo Yoshitaka, chefe do poderoso clã em Awa e um de seus devotados seguidores, sua comitiva chegou a um local chamado Komatsubara, onde subitamente, a tropa de Tojo Kaguenobu atacou. Essa foi a “Perseguição de Komatsubara”.
No dia 18 de janeiro de 1268, emissários mongóis chegaram a Kamakura levando ordens de submissão ou guerra. Presenciando a invasão estrangeira que ele havia predito no Rissho Ankoku Ron, mais uma vez admoestou os governantes, dizendo que deveriam converter-se ao Verdadeiro Budismo.
No dia 12 de setembro de 1271, Hei no Saemon, chefe da força militar, ordenou que Daishonin depusesse na corte para investigações. Daishonin enfrentou-o destemidamente e advertiu-o sobre a conduta errônea do governo. Como resultado, dois dias depois ele foi preso como um rebelde por guerreiros liderados por Hei no Saemon. Esse chefe militarista arbitrariamente decidiu decapitar Daishonin à meia-noite no campo de execução de Tatsunokuti, em Kamakura.
Entretanto, não foi possível decapitá-lo, pois no momento da execução, “um corpo celeste tão brilhante quanto a Lua surgiu repentinamente na direção de Enoshima e atravessou rapidamente o céu de Sudeste a Noroeste. Era pouco antes da alvorada e estava muito escuro para ver o rosto de qualquer pessoa, entretanto, o objeto clareou todos. O carrasco caiu cobrindo sua face, e seus olhos cegaram-se. Em pânico, alguns soldados fugiram para longe, outros caíram de seus cavalos e outros ainda esconderam-se atrás das selas.” (“Comportamento do Buda”, END, vol.1, pág.163.) Esse acontecimento é chamado de “Perseguição de Tatsunokuti”.
Nesse momento, Nitiren Daishonin abandonou sua condição transitória como Bodhisattva Jogyo, ao mesmo tempo em que provou a si mesmo ser o Buda Original da Suprema Sabedoria. Esse fato é chamado de Hosshaku Kempon (abandonar a forma transitória e revelar a verdadeira identidade).
Após a tentativa malsucedida de execução, o governo decidiu banir Daishonin para a Ilha de Sado. Forçado a permanecer numa pequena choupana, sem alimentos e em meio a um frio intenso, ele sofreu ataques contínuos por parte dos bonzos inimigos que viviam no local. Apesar de viver em circunstâncias tão severas, Daishonin escreveu muitas obras importantes nesse local.
O exílio em Sado dividiu em duas fases a vida dedicada à propagação. Desde que recitou pela primeira vez o Nam-myoho-rengue-kyo em 28 de abril de 1253 até o seu segundo exílio na Ilha de Sado, ele somente propagou o Daimoku e não se referiu aos “Três Grandes Ensinos Fundamentais”. Após a Perseguição de Tatsunokuti e seu exílio em Sado, Nitiren Daishonin assume a sua identidade como Buda Original dos Últimos Dias da Lei, ou o Buda Original da Suprema Sabedoria. Posteriormente, ele inscreveu o Gohonzon, expondo seus importantes ensinos e finalmente atingindo o propósito de seu advento — o estabelecimento do Dai-Gohonzon do Verdadeiro Budismo.
Dos escritos que completou na Ilha de Sado, os dois mais importantes são “Abertura dos Olhos” e “O Verdadeiro Objeto de Adoração”. Ele iniciou a preparação de “Abertura dos Olhos” em 1271 e terminou em fevereiro de 1272. Essa escritura é a prova documental da revelação do Buda Original. Nela Nitiren Daishonin expõe que ele próprio é possuidor das “três virtudes de soberano, mestre e pais”, e que é o “Buda Original dos Últimos Dias da Lei”, ou o “objeto de adoração em termos de Pessoa”.
Ele escreveu “O Verdadeiro Objeto de Adoração” em abril de 1273, no qual esclareceu que o Gohonzon é o objeto de devoção para a salvação de todas as pessoas nos Últimos Dias da Lei e a forma como o Daimoku deve ser recitado. Nitiren Daishonin inscreveu a sua condição de vida em forma de um mandala, revelando desse modo o “objeto de devoção em termos de Lei”.
Assim, ele ensina que as pessoas nos Últimos dias da Lei devem abraçar o Gohonzon de nimpo ikka (unicidade de Pessoa e Lei) e recitar o Daimoku com fé a fim de atingir a iluminação nesta vida.
Perdoado de seu exílio na Ilha de Sado em fevereiro de 1274, Nitiren Daishonin retornou a Kamakura em março. Em 8 de abril, apresentou-se perante Hei no Saemon, oficial representante do regente Hojo Tokimune.
Diferente da primeira ocasião, Hei no Saemon mostrou-se gentil e polido quando perguntou a Nitiren Daishonin sua opinião sobre o ataque mongol, e quando isso ocorreria. Daishonin respondeu claramente: “Eles certamente chegarão ainda este ano”, como consta no Gosho “Comportamento do Buda”. Também admoestou os oficiais contra a aceitação de religiões heréticas e solicitou-lhes que buscassem a fé no Verdadeiro Budismo a fim de evitar a invasão.
Entretanto, uma vez mais recusaram a advertência e Daishonin decidiu viver em reclusão na Vila haguiri, situada aos pés do Monte Minobu, na Província de Kai.
Em outubro de 1274, as forças mongóis atacaram Ikki e Tsushima, duas das ilhas situadas no Sudoeste do Japão, e então seguiram para a Baía Hakata, na costa nordeste de Kyushu. Nitiren Daishonin devotou-se totalmente preparando os seus discípulos e trabalhando em volumosas teses tais como “A Seleção do Tempo” e “Retribuição aos Débitos de Gratidão”. Além disso, transferiu oralmente seus profundos ensinos a seu sucessor imediato, Nikko Shonin, os quais se encontram no Ongui Kuden (Registro dos Ensinos Orais), Hyaku Rokka Sho (As Cento e Seis Comparações) e Honnin-myo Sho (Sobre a Verdadeira Causa);
Em 21 setembro de 1279, vinte camponeses e seguidores de Nitiren Daishonin, que viviam Atsuhara, foram injustamente detidos. Eles foram levados a Kamakura e aprisionados, sendo coagidos a abandonar a fé no Budismo de Daishonin, mas persistiram, sem ceder às torturas praticadas pelos guardas de Hei no Saemon. Mais tarde, os três irmãos Jinshiro, Yagoro e Yarokuro foram executados, enquanto dezessete outros seguidores foram banidos de suas terras. Essa foi a “Perseguição de Atsuhara”.
Mais tarde, Daishonin mudou-se para um templo chamado Minobu-zan Kuonji. Depois, transferiu a totalidade de seus ensinos a Nikko Shonin. Em 13 de outubro de 1282, faleceu aos 61 anos (3) na residência de Munenaka Ikegami.

Nota:
1. No sistema japonês de contagem, considera-se que a pessoa já tenha um ano de idade no ano de seu nascimento
2. Três calamidades e sete desastres: Calamidades e desastres causados pela calúnia ao Verdadeiro Budismo. As três calamidades são: guerra, pestes e fome. Os sete desastres são: (1) eclipse solar ou lunar; (2) movimento anormal dos corpos celestes ou aparecimento de cometas; (3) destruição geral pelo fogo; (4) irregularidades meteorológicas tais como tempestades e alterações anormais de temperatura; (5) ventanias e furações; (6) seca prolongada; e (7) destruição do país por lutas internas ou por invasão estrangeira.
3. Vide nota 1.